A nova fronteira da comunicação

Por Nereu Leme 13/10/2020
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Fronteira. Um lugar misterioso, desconhecido e por vezes perigoso. Espaço a ser descoberto, desbravado. Um caminho a ser trilhado e reconhecido.
Como na ficção, a última fronteira do universo, Star Trek (Jornada nas Estrelas), indo onde nenhum homem jamais esteve, a pandemia do novo Coronavírus instigou os comunicadores brasileiros a se aventurarem pela nova fronteira da comunicação, as redes sociais.
O que mudou na escrita, na mensagem, no veículo? Quem lê o que o mundo inteiro escreve, para convencer o consumidor, para vender? Como disse Caetano em sua música, quem lê tanta notícia?
A comunicação vem mudando há algum tempo. Deixamos de assinar e ler jornais e revistas analógicos impressos e passamos para o mundo digital. Primeiro, sites e blogs de notícias. Depois as redes sociais nas quais os internautas são leitores, mas também escritores. Nas redes sociais “eu sou a notícia”.
Na pandemia, as pessoas passaram a se relacionar virtualmente, com muitos seguidores; fizeram lives para os amigos, para a família. Para si mesmos.
Sem poder sair de casa, quem respeita o isolamento social, as pessoas começaram a fazer cursos, desenhar, pintar, tocar instrumentos, cantar. E cada vez mais, o “eu sou a notícia” ficou latente.
Over exposição de tudo. E o povo cansou. As lives cansaram, os cursos gratuitos abundam (para não dizer outra coisa) e ninguém quer nem saber. Prefiro um vinho a uma verborragia inconsequente; youtubers falando sem parar, chefes de cozinha dando receitas de bolo. Já deu!
Nova fronteira. O que virá agora? Star Trek? Perguntem ao Mr. Spok. Fala-se em Storytelling, a habilidade de contar histórias utilizando enredo elaborado, narrativa envolvente, e recursos audiovisuais. Ultimamente, porém, nem isso tem dado resultado.
Outra tendência é a escrita criativa, livre, sem regras e imposições. Mas, é preciso experimentar, ousar. Junto com um grupo de jornalistas experientes, das antigas, criamos um blog para contar história, www.contandohistoria.com.br. Lançamos dois desafios: escrever sem a palavra “que” ou dois pontos.
Foi fácil. Superamos. Agora o desafio é escrever sem usar a letra “e”. Ou seja, não valem palavras que tenham a letra e. Impossível? Não. Em 1969, o escritor francês Georges Perec escreveu O Sumiço", um livro inteiro sem a letra e. Vamos nessa.
Quem conseguir, me avise.